Ciclovias e programa de educação estimulam o uso da bicicleta



Em Belém, 53.2% das pessoas que usam bicicleta escolheram esse meio de locomoção como modo de transporte urbano pela rapidez e praticidade. Outros 17.2% fazem a escolha por se preocupar com a saúde, 19.7% pelo baixo custo e 2.2% pela preocupação ambiental. Os dados foram divulgados na segunda edição da pesquisa “Perfil do Ciclista 2018”, uma iniciativa da Parceria Nacional pela Mobilidade da Bicicleta, que traça um perfil dos ciclistas urbanos do Brasil e de cidades da Argentina e Colômbia. No Brasil, foram entrevistados 7.644 ciclistas em 25 cidades das diferentes regiões brasileiras, entre setembro de 2017 e abril de 2018, por mais de 140 pesquisadores. Em Belém, mais de 500 pessoas responderam à pesquisa.

Para atender e ampliar este público, a Prefeitura de Belém está dotando a cidade de equipamentos que estimulam o uso da bicicleta. Na última semana, foi concluída toda a sinalização da nova ciclovia da avenida Bernardo Sayão, com 1km de extensão. Simultaneamente, a equipe de sinalização da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (SeMOB), vem trabalhando no redimensionamento da ciclofaixa da avenida Pedro Álvares Cabral, da avenida Júlio César até a Arthur Bernardes, e na sequência, a ciclofaixa será ampliada em mais 1,6 km até a avenida Visconde de Souza Franco, quando será interligada à ciclofaixa da Doca, atualmente a única em Belém que não tem nenhuma ligação com outra ciclovia ou ciclofaixa. Isso, somado aos 2 km de ciclofaixa nova implantada no mês de abril na travessa Vileta, indo da Antônio Everdosa à João Paulo II, dentro do projeto do binário Vileta/Humaitá, já são quase 5 km de novas faixas exclusivas aos ciclistas na malha viária da cidade, que atualmente tem 90,5 km de extensão, sendo 18,5 km de ciclovias e 72 km de ciclofaixas.

“Não podemos pensar em novos projetos cicloviários na cidade sem incluir o ciclista. Todos os nossos projetos incluem esse modal, que é um dos principais focos quando se trata em mobilidade urbana”, explica Ana Paula Grossinho, superintendente da SeMOB, que assegura, ainda, que este trabalho é contínuo.

No início do mês, foi ressinalizada a integração da ciclovia da Almirante Barroso e da ciclofaixa compartilhada do Entroncamento com a ciclofaixa da Tavares Bastos. Após a ampliação da ciclofaixa da Pedro Álvares Cabral, será ampliada a ciclovia da João Paulo II, que irá da Dr. Freitas até a área de prolongamento da via que está em obra pelo Governo do Estado. Em breve a equipe de educação para o trânsito da SeMOB iniciará o trabalho educativo na nova ciclofaixa da avenida Perimetral. E os trabalhos não param por aí.

“Nossa intenção é fechar o ano com pelo menos 10 km de novas ciclovias e ciclofaixas, e estamos trabalhando para isso. O trabalho é feito sempre em três etapas: implantação da malha, que começa com o planejamento e culmina com a sinalização; educação, com a equipe de arte-educadores e agentes educadores indo a campo fazer um trabalho de conscientização junto a ciclistas e, principalmente, condutores; e fiscalização, que entra por último para garantir que o direito dos ciclistas seja garantido. Temos uma equipe de agentes ciclistas que atua exclusivamente nas ciclofaixas de Belém”, detalha Marcos Chagas, diretor de trânsito da SeMOB.

Todo esse trabalho de planejamento da malha cicloviária é feito em diálogo com os grupos de ciclomobilidade de Belém. Técnicos da SeMOB e representantes desses grupos têm reuniões mensais onde são expostas ideias e debatidas viabilidades e aplicações. “Este diálogo permanente é importante, porque a gestão tem que estar alinhada com o que eles vivenciam no dia a dia das ruas. Por isso essa contribuição da sociedade civil é tão importante”, justifica a superintendente da SeMOB.

Graças a essa parceira foi criado o Programa Permanente de Educação para o Trânsito da Prefeitura de Belém, com foco em especial no ciclista, instituído por meio de decreto do prefeito Zenaldo Coutinho. O programa conta com uma comissão formada por representantes da Prefeitura e da sociedade civil organizada, e, mais do que pensar em obras, centra o trabalho em pensar campanhas educativas de massa, o que atende a outro ponto importante da pesquisa: 50% das pessoas entrevistadas afirmam não ter segurança no trânsito, número bem maior diante dos que reclamam da infraestrutura (37.9%), da falta de segurança pública (5.6%) e da falta de sinalização (3.9%).

José Ramos, um dos cicloativistas mais atuantes em Belém, é uma das lideranças da sociedade civil no Programa Permanente de Educação para o Trânsito. Ele mesmo foi um dos que participou de forma voluntária da pesquisa “Perfil do Ciclista 2018”, colaborando na coleta de informações. “Foram cerca de 500 pessoas entrevistadas, das quais eu entrevistei 142. Dividimos a pesquisa em três pontos da cidade que chamamos de área central, área periférica e bem periférica, e eu procurei ficar nos três pontos para ter uma amostragem bem ampla”, detalha.

Ramos diz que a pesquisa ratificou o que muitos dos cicloativistas já observavam. Como o fato de que, em Belém, a maioria dos ciclistas, 83.5%, usam o modal para se deslocar ao trabalho. “Podemos dizer que temos três tribos, até quatro, que andam de bicicleta em Belém. Tem os que andam nos passeios à noite, ou sábado e domingo de manhã. Essas pessoas são as que investem em bicicleta, usam capacete, luvas, estão mais paramentados. Tem o grupo do pessoal do esporte, que usa a bicicleta para treinar como na avenida João Paulo II. Tem o outro grupo que faz o chamado cicloturismo, que usa a bicicleta para viajar para outras cidades, e esse é mais raro. Mas o grupo mais importante é o das pessoas que usam no dia a dia a bicicleta, o trabalhador, a mãe que leva a criança para a escola de bicicleta, o operário da construção civil, e etc. Esse grupo existe muito antes de se fazer qualquer propaganda dos benefícios de se andar de bicicleta e é mais para essa gente que o Programa Permanente de Educação para o Trânsito volta o principal foco de suas ações”, diz Ramos.

Um dos pontos de partida é começar pela forma como o ciclista é enxergado dentro do espaço urbano. “No Brasil, e em cidades como Belém, realmente a pessoa de mais baixa renda vai sempre usar a bicicleta e por isso existem preconceitos diversos que associam esse meio de transporte a quem não pode comprar um carro. Também há o preconceito de que bicicleta não é para mulheres. E quando você vai para a Europa vê todas as pessoas usando a bicicleta, inclusive executivos chegando para reuniões de bicicleta. Há cidades, como Londres, em que há zonas do centro em que automóvel nem entra, e nessas cidades bicicleta é uma opção de vida por diversos motivos, inclusive pelo fato de que as cidades não comportam mais tantos carros”, explica Ramos.

Com o Programa, pretende-se, entre outras coisas, que os ciclistas conheçam seus direitos e deveres, e que os demais atores da mobilidade urbana, em especial o motorista, respeitem quem está pedalando ao seu lado. “É preciso ter a ampliação das ciclovias para o ciclista se sentir seguro de pedalar. Eu mesmo morro de medo de atravessar a rua e ser atropelado. Mas não basta isso e esse Programa vai fazer algo muito bom para a cidade. É preciso educar, fazer mudar a consciência, mostrar ao condutor que, inclusive, o ciclista é um aliado, porque quando se tem uma bicicleta a mais na rua se tem um carro a menos, o que ajuda na fluidez do trânsito para todos. Sem contar com a melhoria da qualidade de vida de toda a cidade, não só da vida de quem pedala”, conclui José Ramos.

Por Esperança Bessa




Agência Belém
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