CARIMBÓ, manifestação que expressa identidade da cultura paraense


Domingo, dia 26 de agosto, foi comemorado o dia municipal do carimbó em Belém. Mais que uma dança de roda e um gênero musical tipicamente amazônico, é uma das mais representativas manifestações da cultura nortista. Cada vez mais em alta e popular na mídia, a dança teve sua origem na região do salgado, território de Belém, composta por Marapanim, Curuçá, Algodoal e disseminando-se pela Ilha do Marajó, onde era cultivada pelos pescadores. Embora Marapanim clame pela sua paternidade do gênero e realizando anualmente o famoso Festival de Carimbó de Marapanim, onde é bastante cultivado, não se sabe ao certo em qual ponto desta região o Carimbó tomou forma e se consolidou. O ritmo remonta ao século XVII. Um dos registros conhecidos foi de Frei João Daniel em 1767, fala sobre um ritmo cantado e dançado pelos índios Tupinambás, acompanhado um tambor feito de madeira oca recoberta com pele de animal: conhecido como curimbó. Suas características como o uso de maracás e flauta no acompanhamento da música, o pé arrastado e a postura arqueada na dança demonstram sua originalidade indígena. No entanto, há semelhança com o batuque africano, o rebolado na dança, e as histórias transmitidas por comunidades do interior do Pará, que remontam a origem do Carimbó às comunidades de negros vindos do Maranhão ou fugitivos de fazendas da região, que sentiam a necessidade em compensar as horas de trabalho com esse meio de fuga, divertindo-se e transformando músicas em ritmo de dança.
Festival de Carimbó de Marapanim
Ao considerar a miscigenação de diversas culturas que contribuíram para o surgimento do Carimbó, o ritmo apresenta-se como elemento importante no processo de formação da identidade cultural brasileira. As vestimentas utilizadas também são outra característica de destaque. Mulheres com saias muito coloridas e bastante volumosas para um efeito mais bonito, adornos no pescoço, pulsos e flores nos cabelos. Os homens, por outro lado, usam vestes simples, que lembram trabalhadores de calças curtas e dobradas. A dança de coreografia marcante é feita em pares, onde ambos dançam descalços formando uma roda, onde o rapaz convida a moça para a dança batendo palmas na frente dela, que faz movimentos com sua saia. Os elementos como a forma de dançar, instrumentos que acompanham os curimbós e vestimenta dos que dançam, podem variar de acordo com a região do Pará, na qual o ritmo está presente. Suas letras geralmente são compostas por versos curtos, falando do dia-a-dia do ribeirinho, do pescador, do lavrador, seus trabalhos, amores e a preocupação com o meio ambiente.

A resistência do Carimbó Raiz é mantida pelas tradições e modo de vida tradicionais no interior do Pará, assegurando as características originais do ritmo. Aos mais notáveis artistas, grandes compositores, músicos, são concedidos os títulos de Mestres. Não tem como falar em Carimbó e raízes sem falar nos grandes nomes que representam tudo isso e mais um pouco.
Augusto Rodrigues, o Mestre Verequete;



Lucindo Rebelo da Costa, o Mestre Lucindo;



Joaquim Maria Dias de Castro, o Mestre Cupijó;



Aurino Quirino Gonçalves, o Pinduca, também chamado Rei do Carimbó;



Ionete da Silveira Gama, a Dona Onete, a mais nova grande revelação da música paraense.



Mahrco Monteiro, Lucinha Bastos e Nilson Chaves

Joelma Mendes 



Gaby Aamarantos 


Lia Sophia 

E muitos outros... 



É celebrado em 26 de agosto o centenário do Mestre Verequete, um dos mais importantes nomes do Carimbó, pela sua trajetória voltada para composições no estilo "Carimbó de Raiz". Devido o centenário e em reconhecimento por sua contribuição musical, em 2004, a data foi considerada Dia Municipal do Carimbó, criada em um Projeto de Lei N.º 8 305 de 2004, apresentado pela vereadora Marinor Brito e sancionado pelo prefeito de Belém da ápoca, Edmilson Rodrigues. Em 03 de novembro é celebrado o Dia Estadual do Carimbó, em memória à Verequete que faleceu em 03 de novembro de 2009 e aprovado pela governadora da época, Ana Julia Carepa, criado através da Lei N.º 7 457 de 2010.
Hoje, o Carimbó é considerado Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e o Pará, um dos mais ricos em fauna, flora, gastronomia exótica e diversidade cultural. 

Fotos: Reprodução

Por: Rafael Silva
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