A beleza da arquitetura das residências da periferia de Belém

Universitários produziram maquetes da periferia de Belém (Foto: Lucas Brito)


A reprodução da arquitetura de casas da periferia de Belém, por meio de maquetes, foi a proposta de uma exposição realizada por alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo em dezembro último, no Hall da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo-FAU, no Campus Profissional da UFPA.

Sob a supervisão da professora Dina Oliveira, os universitários puderam retratar a arquitetura das casas da periferia, com suas cores vibrantes, fachadas diferenciadas, um verdadeiro apanhado da realidade dos bairros periféricos da capital paraense.

Esse olhar acadêmico demonstrou o senso criativo de seus moradores, identificado na construção de residências, diante das adversidades da vida, que nem sempre lhes dá a condições de edificá-las com materiais nobres.

Para a professora Dina Oliveira a periferia “tem o seu encanto”. Ela reforça as qualidades que essa arquitetura da periferia de nossa cidade possui.

“O seu colorido e até uma certa delicadeza, demonstram uma inocência alegre. E ao mesmo tempo mostra a questão da cidade como escultura da sociedade. Esse é o encanto da periferia. São casas construídas pelas mãos dos usuários ou então pelos mestres. É um trabalho de observação da arquitetura popular”, descreve.

Para a professora os alunos extraem inúmeras lições com esse trabalho, que não é inovador, mas que ao mesmo tempo os direciona para o inusitado. “A periferia é um ingrediente importante no conhecimento do aluno de arquitetura. Perceber esse espaço é não só gratificante, mas se torna uma coisa inusitada, sempre nova, encantadora e motivadora. São elementos que estão no nosso cotidiano e que às vezes a gente passa e nem dá o devido valor”, atesta.


 
Produção das peças – Segundo Heloísa Assunção, estudante da FAU e uma das expositoras, os professores solicitaram que os alunos estudassem casas da periferia de Belém por um
período. “Durante esses meses, aproveitei o percurso do ônibus que todo dia passava por um bom trecho do Guamá para fotografar algumas casas e ir anotando mentalmente os pontos em comum e as peculiaridades. Quando começamos a produzir a maquete propriamente, fiz vários desenhos rápidos combinando de várias formas os diferentes elementos das casas que observei”, disse.

Heloísa ressalta, ainda, que a atividade, por mais simples que fosse, levou-os a prestar atenção em uma ‘arquitetura sem arquiteto’, com soluções criadas por pessoas comuns para problemas rotineiros da cidade, como as chuvas e a formação de novos traços de estilo. “Nosso trabalho nem chegou ao nível de conversar com as pessoas, mas, só de observar atentamente o que é produzido por elas, a gente entende a riqueza desses lugares. Esse tipo de percepção é importante sobretudo para valorizarmos as pessoas de todos os lugares(...). Olhar por alguns meses foi suficiente para admirar a vida e a riqueza desse espaço. E eu só olhei o Guamá”, conclui Heloísa.

 

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